galvanizei-me em torno do pedaço de aço que tenho no peito. um aço quadrado, de arestas vivas e picos em alto-relevo.
os lábios franzidos sobre o queixo hirto, o olhar duro sobre a pele, a sobrancelha franzida sobre o olhar carregado, os punhos muito cerrados até deixar as mãos vermelhas.
depois parto. parto, só. vagueio por pores do sol, familiares de tanto os olhar. sinto o vento do Porto que me entra pela roupa e me dilacera a alma. que me descodifica, que desfaz o mistério que eu sou em mim. mas que não mo clarifica perante mim.
preciso fugir para me libertar. dançar em noites de lua cheia e chuva intensa.
relâmpagos, relâmpagos, trovoada intensa dentro de mim.
no chão, os meus restos mortais.
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